<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204</id><updated>2011-04-21T12:45:01.717-12:00</updated><title type='text'>Tédio Cotidiano</title><subtitle type='html'>Três tipos de texto para brincar. Três possibilidades de (des)agradar possíveis leitores. Para comentar ou para jogar na lama: brunapaixao@hotmail.com. 
Mas não para colocar no MSN, please</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-2458511698369459428</id><published>2009-01-14T09:53:00.002-12:00</published><updated>2009-01-14T10:02:56.927-12:00</updated><title type='text'>Vovó Maria</title><content type='html'>Chego de férias seriamente individadoras na Espanha e recebo a notícia de que a minha avó morreu enquanto eu estava lá. Que sensação estranha que é você sair do país com sua avó viva e voltar ao país com a sua avó morta. Parece que é mentira, e que daqui a pouco vou pra casa dela comer doce de abóbora, e empada de queijo, e macarronada com molho de tomate. E ela vai reclamar que eu não uso maquiagem nem cuido do cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que soube, não derramei uma lágrima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cruelmente irônico da história é que coloquei o ítem "visitar a minha avó uma vez por mês" na lista de resoluções de ano novo. Eu faço listas de ano novo, com dez ítens, e no correr do ano eu dou algumas olhadinhas na lista e coloco OK nos objetivos alcançados. E é ótimo dar o OK dos objetivos alcançados, porque dá a impressão de que você está andando pra frente, quando na verdade o que acontece é que a gente sempre anda pra frente, mesmo quando não quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a minha avó nem conseguiu esperar eu colocar em prática as resoluções de ano novo, e partiu bem rapidinho, a tempo de não se tornar uma velha apática e dependente, que era tudo o que ela não queria da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora eu não tenho mais avós, mas não faço dramas: aproveitei bastante das minhas, comi muito doce de abóbora, ganhei muito presente e muito colo, vi muitas fotos em preto e branco, ouvi muitas histórias - tive uma vida completa de neta, com tudo o que ela pode reservar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-2458511698369459428?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/2458511698369459428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=2458511698369459428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/2458511698369459428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/2458511698369459428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2009/01/vov-maria.html' title='Vovó Maria'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109631718748198592</id><published>2004-09-27T08:30:00.000-12:00</published><updated>2004-09-28T01:10:30.550-12:00</updated><title type='text'>Doces Trash</title><content type='html'>Sobre o tédio cotidiano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que hoje é dia de Cosme e Damião. Descobri porque a multidão de crianças ensandecidas por doses altas de açúcar correndo atrás dos carros tornou óbvia a constatação. E também porque há alguns dias dei um pulinho nas lojas Americanas pra comprar uma mega barra de Diamante Negro e me deparei com caixas de doce de abóbora em forma de coração, desses que só se vende nessa época do ano. Não havia como eu me enganar: hoje é dia de Cosme e Damião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adoro os saquinhos de doces distribuídos no Cosme e Damião. Uma das coisas ruins de se ter vinte e sete anos é a impossibilidade de correr atrás de carros pedindo saquinhos de doce. Pensando bem, quando eu era criança nunca bati de porta em porta pedindo maria mole e suspiro. O açúcar vinha parar nas minhas mãos como que por encanto, através de colegas de trabalho dos meus pais, ou mães católicas de amiguinhos do colégio, que faziam a mágica distribuição todos os anos para pagar algum tipo de promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora não. Agora, para que eu tenha acesso a esse universo paralelo que é o mundo infantil, tenho que usar a minha irmã de dez anos. Ela manteve viva a minha voracidade por doces trash durante esses anos em que entrei na chamada fase adulta, aquela em que para todo pedaço de torta ingerido, calcula-se o número de abdominais que devem ser feitas no dia seguinte. Pois é, minha irmã, invariavelmente, chega da escola com um saquinho de Cosme e Damião, como acontecia comigo quando eu era pequena. E aí se inicia a negociação pelo direito de ganhar uma daquelas delícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poxa, irmãzinha, libera a maria mole aí.&lt;br /&gt;- Não. Eu gosto de maria mole. Se você quiser, pode ficar com o Cocô de Rato.&lt;br /&gt;- Ah, não, Cocô de Rato eu não gosto. E esse doce de batata aí? Você vai querer?&lt;br /&gt;- Hmm, tudo bem. Toma aí pra você.&lt;br /&gt;- Valeu, irmã! Se você me der o Batom, eu levo você pra assistir a 'Meninas Super Poderosas 2'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aí vai. Em negociações com a minha irmã mais nova. Quando ela não está olhando, eu garanto o meu lugar no inferno e roubo um daqueles tabletes de doce de leite. Meu gosto por doces trash já chegou a esse ponto: roubo até de criança. Mas é preciso aproveitar enquanto é tempo. Quando a minha irmã mais nova entrar na adolescência, ela vai querer largar a vida dos saquinhos de doce, como todos os seres humanos normais. Daí eu terei alguns anos de abstinência involuntária até que, finalmente, eu possa voltar a roubar doces. Dos meus possíveis e longínquos filhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109631718748198592?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109631718748198592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109631718748198592' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109631718748198592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109631718748198592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/doces-trash.html' title='Doces Trash'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109596399137690310</id><published>2004-09-23T06:25:00.000-12:00</published><updated>2004-09-23T06:26:31.376-12:00</updated><title type='text'>Mais um texto sobre o amor</title><content type='html'>Sobre o tédio&lt;br /&gt;Quase tudo já foi dito sobre o amor, quase tudo já foi escrito e pensado da pior e da melhor maneira. Este não é um tema novo. Mesmo assim, insisto no erro e no lugar comum quando sento em frente à máquina de escrever com tela: cigarro em um canto da mesa, telefone sem fio, milhões de papéis e eu amando. Nada poderia, mesmo que eu tentasse, soar mais piegas que isso. ‘Eu estou amando’. Taí uma frase que não deveria ser dita em voz alta uma única vez da vida de uma pessoa sensata – e mesmo assim é dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me enrosco no edredom com muita preguiça de levantar. Da última vez que saí assim, bati em um táxi e deixei um rastro de tinta amarela no meu pára-choque pretíssimo, sinalizando para todo o mundo que eu sou uma péssima motorista. A vida deveria ser mais leve para aqueles que estão amando, para aqueles que carregam a cruz da breguice nas costas com incomensurável alegria. Mesmo assim, tenho que levantar e trabalhar e soar muito séria e muito centrada, mesmo quando preferia estar deitada na piscina admirando nuvens cor de rosa. A vida é muito, muito dura para quem está amando. Todas as pessoas parecem amargas e mal comidas perto de mim, sinto uma pena altiva dos seres humanos ao meu redor. Eles não sabem o que eu sei, eles não sentem o que eu sinto. Pobres, pobres deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me peguei desenhando corações enquanto falava ao telefone com o revendedor de tacos. Falando sobre preço de obras e reformas e em quanto tempo a minha casa será habitável de novo. Quando me dei conta, rasguei o papel e escondi dentro da bolsa. Ninguém deve desconfiar que estou amando, ou se sentirão ainda mais amargos e mais mal comidos do que nunca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as últimas vezes que amei, gastei o que não podia para presentear o meu amor. Aprendi minha lição: nunca parcelar presentes para amores no cartão de crédito. O romance pode acabar antes de a conta ser paga. Pois é, sim, sim, a vida é muito dura para quem esta amando de novo e de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109596399137690310?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109596399137690310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109596399137690310' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109596399137690310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109596399137690310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/mais-um-texto-sobre-o-amor.html' title='Mais um texto sobre o amor'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109572423623673059</id><published>2004-09-20T11:47:00.000-12:00</published><updated>2004-09-20T11:50:36.236-12:00</updated><title type='text'>Rumo a Columbine</title><content type='html'>Sobre o cotidiano&lt;br /&gt;Na semana passada, o Jornal Nacional exibiu reportagem que mostrava como o Rio Grande do Sul vem combatendo o tráfico de drogas dentro das escolas públicas gaúchas: policiais revistam alunos e cães farejadores metem o nariz nas mochilas dos moleques em busca de drogas e armas. Até em algumas escolas particulares esse procedimento tem sido adotado. Uma diretora chegou a falar que depois que colocaram a polícia no meio da história, gangues pararam de rondar o colégio e alunos que eram considerados mini traficantes foram expulsos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente lembrei do filme ‘Elefante’, especificamente da cena em que aquele garoto lourinho leva uma bronca do diretor porque chegou atrasado de novo. Acontece que o garoto lourinho tinha chegado atrasado porque o pai dele estava bêbado demais pra conseguir leva-lo até o colégio, e o menino foi obrigado cuidar do pai antes de poder entrar na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que o diretor de ‘Elefante’ não quis saber por que o garoto lourinho chegou atrasado, a diretora do colégio de RS não está interessada em buscar explicações para a tendência à bandidagem do seu aluno mini traficante. O que ela quer é que ele suma da frente dela e pare de trazer problemas à escola, que pare de interferir na vida dos outros adolescentes que podem se tornar pessoas bem sucedidas. Vencedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Que injustiça’, foi o que eu pensei. Não porque o menino traficante deva receber alguma espécie de prêmio, mas porque, ao ser expulso da escola, ele foi praticamente condenado a ser promovido dentro do mundo do tráfico: de avião a soldado, de soldado a gerente, de gerente a dono da boca – ou seja lá como funcionam as bocas de fumo do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que sou só eu (que realmente ando sentimental demais com questões sociais) que achou uma sacanagem abandonar o vendedor de maconha à própria sorte? Bom, depois eu constatei que não. Em entrevista à repórter, um educador disse que a escola não pode simplesmente deixar uma criança problemática pra lá, que o dever da instituição de ensino é formar uma pessoa em todos os sentidos, não só para passar no vestibular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como é nos Estados Unidos, onde o que conta é a popularidade e a futura fama e fortuna de cada aluno, o Brasil parece que está querendo também formar legiões de pessoas perfeitas, sem problemas e prontas para o mundo de faz de conta. Só espero que caia a ficha na cabeça dos pedagogos gaúchos de que esse modelo americano não gera vencedores, mas serial killers e anoréxicas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109572423623673059?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109572423623673059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109572423623673059' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109572423623673059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109572423623673059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/rumo-columbine.html' title='Rumo a Columbine'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109528305283287329</id><published>2004-09-15T09:14:00.000-12:00</published><updated>2004-09-15T09:17:32.833-12:00</updated><title type='text'>Procurando emprego</title><content type='html'>Sobre o tédio cotidiano&lt;br /&gt;Eu já li um livro do Lair Ribeiro. Um não, vários. Eu confesso que já li vários livros do Lair Ribeiro, do Paulo Coelho e do Sidney Sheldon, tudo isso na tenra e confusa idade de 13 anos. Eu lia muita coisa da pior qualidade. Mas hoje, ao ligar para uma empresa e pedir uma chance de mostrar o meu currículo, acabei lembrando de um ensinamento do Dr. Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dizia que foi comprovado cientificamente que quando uma pessoa falava sorrindo ao telefone, isso transparecida de alguma maneira em sua voz, e tornava a conversa mais agradável para a pessoa do outro lado da linha. Inclusive, empresas de telemarketing adotaram essa técnica e conseguiram aumentar as vendas em não sei quantos por cento. Pois é. Em algum ponto do meu subconsciente, armazenei a informação e me peguei usando a manhã que seu Lair falou pra eu usar ao procurar emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada mais constrangedor que ligar e oferecer o seu currículo. Como eu não sei fazer de outra maneira e estou à base de frilas desde novembro passado, me tornei uma expert no quesito ligar para desconhecidos e ser simpático. As conversas são sempre extremamente desconfortáveis, por mais que eu esteja me habituando a isso. E seguem da seguinte maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruna: Bom dia, por favor, eu gostaria de falar com o fulano.&lt;br /&gt;Pessoa: Quem gostaria?&lt;br /&gt;B: É a Bruna.&lt;br /&gt;P: Bruna de onde?&lt;br /&gt;B: Sabe o que é, ele não me conhece. Eu sou jornalista, trabalho com produção de reportagem para TV, e queria saber se posso mostrar o meu currículo pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, apresentam-se dois caminhos: ou me falam pra enviar o currículo por email, o que é mais comum, ou me passam para o fulano responsável. E quando me passam, nas raras ocasiões, eu tenho que me vender como a pessoa mais feliz, mais bem humorada do mundo (mesmo desempregada) e mais capacitada do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Oi, fulano. Tudo bem? Eu sou jornalista, sempre trabalhei com TV e agora estou procurando uma oportunidade em produtoras independentes. Trabalhei em blá blá blá por dois anos, mas agora busco blá blá blá. Será que eu poderia passar aí para conhecer a produtora e mostrar meu currículo pra você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, surpresa. Ele diz que sim, que eu posso ir, e eu vou cheia de esperanças no bolso, mas quando chego lá invariavelmente ouço ‘este não é o momento’. Outro dia achei que seria diferente, porque estava andando no meio do Largo do Machado e vi, no chão, um trevo de quatro folhas. Ainda olhei em volta pra ver se tinha um canteiro, mas não havia nenhum sinal de vegetação por perto, o que me fez interpretar a interferência bizarra como um sinal de sorte. Estufei o peito e entrei na sala da produtora com o currículo em punho e um sorriso impecavelmente branco. Mas de novo ouvi que aquele não era o momento e que um dia, quem sabe, entrariam em contato. Só espero que todo esse povo com quem eu venho falando nos últimos meses não resolva entrar em contato todos de uma vez só. Não restaria espaço na minha agenda.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109528305283287329?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109528305283287329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109528305283287329' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109528305283287329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109528305283287329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/procurando-emprego.html' title='Procurando emprego'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109510988351453510</id><published>2004-09-13T09:09:00.000-12:00</published><updated>2004-09-13T09:11:23.516-12:00</updated><title type='text'>Vertigens</title><content type='html'>Sobre o tédio&lt;br /&gt;Era como sentar no parapeito do mirante do Corcovado: aquela cidade inteira, azul, ao alcance dos braços e o frio na barriga, o temor da possível queda. Prazer e medo juntos, um atrapalhando o outro, ou o contrário, um tornando o outro ainda mais intenso.&lt;br /&gt;Ela fez questão de sentar no parapeito do Cristo Redentor, fez questão de desafiar a própria sorte e os olhares preocupados de alguns turistas ingleses com valiosas câmeras digitais penduradas no pescoço. Ela sempre fazia questão de coisas assim, de ir ao limite dela e dos outros, de testar reações e situações. Queria experimentar cada segundo para ver se conseguia. E a verdade é que conseguia sempre, e aquele jogo já estava se tornando monótono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora, sentada na beira na cama, no precipício do quarto, tinha medo e prazer, de novo. A tal combinação catastrófica. Às vezes pensava em abandonar o certo e se tornar mais uma vez uma pobre coitadinha, com histórias pra contar em mesas de centro de salas de estar. Outras vezes chorava com a própria sorte – apesar de não acreditar em sorte, mas em acasos encadeados e resultados previsíveis. Tudo meio matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo não sentia isso. Tentou se recordar da última vez, mas só conseguia se lembrar do passeio ao Cristo Redentor e do dia em que sentiu uma tontura inexplicável e teve que se apoiar na banca de jornal. Estava calor e era meio-dia, e ela andava sozinha nem se lembra mais para onde, quando de repente, o chão rodou. E ela quase caiu no chão, mas alcançou as paredes de metal da banca, e tentou ligar para vários amigos pelo celular, mas não conseguiu falar com ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, de novo, a sensação. Mas não estava mais sozinha, estava era com medo de ficar sozinha. Mais uma vez, tudo de novo. E de novo. E de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109510988351453510?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109510988351453510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109510988351453510' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109510988351453510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109510988351453510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/vertigens.html' title='Vertigens'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109491814528466529</id><published>2004-09-11T03:53:00.000-12:00</published><updated>2004-09-11T03:55:45.286-12:00</updated><title type='text'>Prêmio Michael Moore</title><content type='html'>Sobre o Cotidiano&lt;br /&gt;Nos meus tempos de Puc, lá pela segunda metade dos anos 90, presenciei a criação de um dos melhores prêmios de todos os tempos: o troféu Aör. Ganhava o troféu aquele que conseguia causar constrangimento, saia justa e clima tenso com maior sucesso, porém sem a intenção de fazê-lo. Tudo começou em um amigo oculto em que Aör, a inspiração do prêmio, decidiu discursar com toda sinceridade do mundo sobre a menina que ele havia sorteado na troca de presentes. Disse algumas verdades, daquelas que ninguém nunca teve coragem de dizer (do tipo: ‘eu não conheço direito a minha amiga oculta, nós temos muito pouco em comum e provavelmente nunca seríamos amigos’), e causou frisson no evento. Cochichos. Risadas discretas. Risadas escancaradas. E o nascimento do troféu que levaria o seu nome, e que seria entregue daquele ano em diante em todos os amigo ocultos que nós participaríamos. Sem estátuas e sem papéis atestando o prêmio, o troféu Aör era uma glória concedida no boca-a-boca do dia seguinte. Não há melhor premiação que essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando os últimos acontecimentos da indústria cinematográfica brasileira, comecei a acreditar que caberia a criação de um prêmio Aör nos grandes eventos. Todos concorreriam: diretores, atores, equipe técnica e até convidados ilustres. Ganhava aquele que desse a pior declaração à imprensa, no estilo Rubens Ewald Filho pós Festival de Gramado (vide texto abaixo). Mas a minha idéia foi por água abaixo quando eu percebi que essas declarações desastradas são, muitas vezes, premeditadamente polêmicas. Ou seja: aquilo tudo é dito pra sair na capa dos jornais mesmo, fazendo com que o nome de certas figurinhas que nem costumam aparecer tanto assim seja publicado por semanas. Uma maneira maquiavélica de mostrar que está na mídia, uma coisa assim ‘falem mal mas falem de mim’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, o troféu Aör não teria mais lugar. Esse prêmio baseia-se na quase ingenuidade do declarante, na questão de que o cara acha que não tem nada demais ele falar o que está falando, já que todo mundo pensava o mesmo. Não, definitivamente o troféu Aör deve ficar restrito aos encontros esporádicos dos meus amigos de faculdade e ao boca-a-boca por telefone do dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que falam querendo chocar ou causar desconforto, a esses eu voto na criação do troféu Michael Moore. Dispensa explicações e lembranças. Moore conseguiu o que queria em um momento que ninguém esperava. Golpe baixo em pessoas baixas, e frases relembradas até hoje. E se fosse criado o troféu Michael Moore, não faltariam indicados. Olha, por exemplo, a briga do Cláudio Assis com o Hector Babenco. Troféu para o Assis, com toda certeza. E por unanimidade do júri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a entrega do Prêmio TAM de cinema, com um monte de gente importante, e alguns arrozes de festa, como em qualquer boca livre famosa. Babenco disputava a estátua (é uma estátua?) de melhor diretor de 2003, assim como Cláudio Assis. Babenco ganhou e foi ao palco todo feliz buscar o seu souvenir, quando Assis gritou ‘imbecil’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, silêncio. Já imagino os jornalistas anotando, ligando para as redações, os fotógrafos tentando captar a cara de indignado do premiado, os convidados se ajeitando nas cadeiras. Babenco revidou: ‘por que você não vem ao palco falar isso na minha cara?’. E aí o Assis mandou um ‘vai tomar no cu’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Vai tomar no cu’ com tapete vermelho e em rede nacional tem seu valor, apesar de que eu achei o filme dele, ‘Amarelo Manga’, uma droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí seguiram-se jornalistas querendo declarações do agressor e do agredido. Assis disse que era preciso admitir que o cinema nacional era dominado por Barretos, Cacá Diegues e Babenco. Babenco limitou-se a elogiar o filme de Assis e de queixar-se, com voz chorosa (licença poética da autora), de que ele não sabia que o colega agressor era uma pessoa tão baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, a confusão já estava formada. E, por mim, o prêmio Michael Moore já estava entregue. Tudo bem que o discurso de Assis nem se compara com o de Moore. Mas, convenhamos, o barraco foi muito bom também.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109491814528466529?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109491814528466529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109491814528466529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109491814528466529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109491814528466529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/prmio-michael-moore.html' title='Prêmio Michael Moore'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109408280431724321</id><published>2004-09-01T11:50:00.000-12:00</published><updated>2004-09-01T11:53:24.316-12:00</updated><title type='text'>Laboratórios Clínicos</title><content type='html'>Sobre o Tédio Cotidiano&lt;br /&gt;Talvez o lugar menos sexy do mundo seja o laboratório de exames clínicos, com todas aquelas amostras, secreções e explicações sobre como colher corretamente sua urina. Mesmo assim, quando chego na sala de espera de um desses lugares, percorro os olhos pelo ambiente à procura de rostos interessantes. É mais uma mania que uma esperança. Na verdade, é o resultado de todos esses anos de solteirice. A sorte é que apenas uma única vez eu vi um menino bonito – e, ainda bem, ele não me notou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na vez em que fui entregar a minha coleta de urina 24 horas. Dias antes, entregaram em minhas mãos um galão de dois litros com uma etiqueta nada sutil onde se lia COLETA DE URINA. Eu enfiei minha garrafa no saco plástico e saí correndo, para voltar dois dias depois com ela quase cheia, dentro de um novo saco plástico, tentando inutilmente camuflar o seu conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber exatamente o que fazer com aquele elefante branco, coloquei o saco plástico e seu conteúdo em cima do balcão de atendimento. Uma recepcionista solícita e de sombra azul veio me acudir: ‘Coletou toda a urina das últimas 24h?’ Sim. ‘Desprezou o primeiro jato?’ Sim. ‘Precisou de recipiente extra?’ Não. A recepcionista de sombra azul ia perguntando como se fosse uma secretária eletrônica cumprindo os itens programados, ia questionando em um tom de voz muito acima do que aquele que me deixaria confortável, um tom suficientemente alto para que o resto dos pacientes – inclusive o menino bonitinho, que ainda estava ali – ouvissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois me sentei e esperei meu nome ser chamado. Sempre com o garrafão de xixi. Quando finalmente anunciaram minha vez e eu pude ouvir meu nome e sobrenome ecoando pela sala de espera, senti um certo alívio. Afinal, aquela série de desconfortos e pequenas gafes estava chegando ao fim, e eu poderia ter novamente as mãos livres para segurar um livro, ou acender um cigarro, ou arrumar o cabelo – para fazer qualquer coisa que não segurar o recipiente de coleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um batalhão de perguntas do médico (eles são médicos? Aqueles que tiram sangue e pegam nossos exames de urina e fezes? Sempre fico na dúvida se devo chamá-los de doutor. Mas também, tenho uma mania complicada de querer chamar todo mundo de doutor ou doutora: a nutricionista, o psicólogo, o psicanalista, a pedagoga...), todas as perguntas referentes ao meu exame e todas perguntadas, mais uma vez, em um tom alto, e... eu estou livre. Vou até o bar tentar filar um daqueles lanches para quem tirou sangue, mas a balconista é pragmática: apenas quem doou tem direito a café com biscoitos. Saio de lá desolada. Depois de tudo isso, de todo esse constrangimento, o mínimo que eles podiam fazer era me oferecer uma rosquinha... e de chocolate, pra adoçar a minha vida, que anda amarga, amarga...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109408280431724321?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109408280431724321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109408280431724321' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109408280431724321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109408280431724321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/09/laboratrios-clnicos.html' title='Laboratórios Clínicos'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109398959495491688</id><published>2004-08-31T09:59:00.000-12:00</published><updated>2004-08-31T09:59:54.953-12:00</updated><title type='text'>Ficção</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffccff;"&gt;Sobre o tédio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entrar no túnel do tempo. Às vezes ele gostava de entrar no túnel do tempo e provar a si mesmo que era possível, ainda, ser como era há cinco, seis, sete anos, da mesma maneira que era aos vinte e poucos – afinal de contas, o que mudou, a não ser um punhado de rugas novas e um pouco menos de paciência para certas situações e menos espanto também? O que realmente mudou, fora esses pequenos detalhes, dentro daquele que já tinha ou 30 ou 40 ou 50 anos, dependendo de que calendário contar? Foi por isso que ele entrou no túnel do tempo, comprou uma anfetamina com o Doctor Drugs e caiu no que chamava de noitada clubber (mesmo sabendo que ninguém mais fala ‘clubber’).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, as poltronas continuam as mesmas e a sensação também é a mesma. E todos esses rostos, alguns que eu conheço e outros que eu ainda não conheci, todos eles continuam os mesmos. Até os desconhecidos continuam os mesmos, na sua maneira calada de não tomar idéia da minha presença, ou então observar de longe o meu sorriso, ou puxar conversa ou negar simpatia. Todos os desconhecidos continuam os mesmos, e as meninas ainda usam estrelinhas perto dos olhos e glitter nas pálpebras e botas e saias curtas e cabelos muitas vezes vermelhos. Doctor Drugs me garantiu que hoje eu seria mais novo cinco, seis ou sete anos, e é verdade: estou aqui entre eles e é como se eu nunca estivesse longe, é como se eu nunca houvesse tentado outros caminhos, nadado em outras águas – porque essa aqui é a minha praia, olha como eu me sinto bem, no meio de todos eles, sentado nas poltronas e esperando o resto acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que o tempo foi passando meteórico, e lá pelo meio das horas eles entendeu por quê nunca mais tinha entrado no túnel do tempo, e por quê ele tinha se afastado daquele lugar pra começo de conversa. Tudo plástico demais. Tudo milimetricamente colocado no lugar errado, provocadoramente alterado do convencional, certinho demais dentro do seu desacerto. A rebeldia programada. Ai, deus, como todas aquelas pessoas lhe davam um pequeno enjôo. Uma vontade louca de ir embora. E ele, louco de anfetaminas, iria pra onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pagou a conta e decidiu vagar. Por aí. Andar pelas praias, pelos calçadões, cantando uma música dentro da sua cabeça, pisando no ritmo da música. Saboreando a solidão. E ele foi, o frio e a chuva fininha incomodando um pouco, mas compondo o quadro. Ele poderia ser personagem de um filme. Ou protagonista de um romance. Ainda estava para decidir em qual dos dois se encaixaria melhor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109398959495491688?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109398959495491688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109398959495491688' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109398959495491688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109398959495491688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/08/fico.html' title='Ficção'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109364670894907099</id><published>2004-08-27T10:44:00.000-12:00</published><updated>2004-08-27T10:45:08.950-12:00</updated><title type='text'>A volta dos que não foram</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffccff;"&gt;Sobre o Cotidiano &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todo festival de cinema que se presa, Gramado não fica restrito apenas à exibição de filmes e à mostra competitiva. Existe todo um clima rondando a premiação, um ar de Oscar dos trópicos que só quem freqüenta a festa pode levar a sério. O motivo de toda essa glamourização é provocada pelo grande número de celebridades que comparecem ao evento, é claro. Por isso, mais que marcar presença nas páginas dos cadernos culturais dos jornais, Gramado surge nos textos de fofoca. E quem nunca passou um os olhos por um texto de fofoca na vida que atire a primeira pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O festival deste ano teve um toque a mais de babados. Estava indo tudo muito bem, muito certinho, dentro dos conformes, até que o presidente do júri da mostra competitiva Rubens Ewald Filho deu uma declaração infeliz ao Jornal do Brasil. E mesmo o Jornal do Brasil não sendo o que foi, como é de sabedoria popular, a declaração repercutiu por aí e acabou manchando o final do que parecia a festa perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Rubens Ewald Filho, a premiação de ‘Filhos do Vento’ foi meramente política, já que todos os atores eram negros e o Rio Grande do Sul seria um estado conhecido como racista. Não é preciso comentar o que foi dito pelo crítico de cinema, uma vez que é óbvia a infelicidade de suas palavras. O que se segue à declaração é que torna todo a seqüência de acontecimentos muito curiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras de Rubens Ewald foram recebidas da pior maneira possível pelo elenco do filme, que havia conquistado, ao todo, oito Kikitos. Em protesto, os atores do longa-metragem decidiram devolver seus prêmios ao júri, em uma atitude sem precedentes no Festival de Gramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto eu disse: uhu! Olha aí uma gente com atitude. Afinal de contas, devolver um Kikito, o maior prêmio do cinema brasileiro, não é para qualquer um. Mais que isso, só Woody Allen faltando ao Oscar para tocar jazz com a sua banda em Nova Iorque. Achei que, finalmente, nós poderíamos saborear um protesto legítimo, com um discurso consistente divulgado em carta aberta à imprensa, com todos os ingredientes que fariam da devolução dos troféus um ato inesquecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que logo depois eles voltaram atrás. Mantiveram a carta, mas resolveram não devolver os prêmios. Recebi a notícia da desistência do protesto com muita surpresa. Afinal de contas, melhor que ganhar um Kikito é dizer: ‘Olha, pode ficar. Assim eu não quero’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que falta que faz uma atitude punk, de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Depois de muito pensar sobre o tema, descobri a verdadeira razão de não participar de um reality show. Imagina ter que chamar a minha família pra torcer por mim quando eu estivesse para ser eliminada? Eles teriam que vestir aquelas camisas com escritos do tipo ‘Torcemos por você’, ou usariam perucas ruivas, ou fariam olheiras artificiais, criando algum tipo de marca registrada minha.&lt;br /&gt;Não é nem comigo que eu me preocupo. É com eles. Eu nunca faria algo assim com os meus.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109364670894907099?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109364670894907099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109364670894907099' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109364670894907099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109364670894907099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/08/volta-dos-que-no-foram.html' title='A volta dos que não foram'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109348344634543114</id><published>2004-08-25T13:23:00.000-12:00</published><updated>2004-08-26T13:19:59.290-12:00</updated><title type='text'>Pegando ônibus: aprenda as regras</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ccffff;"&gt;Sobre o Tédio Cotidiano&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O cara que pega ônibus deve saber de cor todas as regras de conduta necessárias para esse tipo de feito. Aliás, ele deve nascer sabendo – se não periga entrar no coletivo e ser olhado com desdém pelos outros passageiros. Os passageiros do nosso querido transporte público são sempre muito exigentes com o quesito “procedimentos”, e riem sem disfarçar quando um novato ou um mal acostumado passam na roleta. Pode reparar: se o ônibus dá uma freada brusca e alguém quase cai no chão, nego ri. Ninguém, ninguém mesmo, levanta e oferece: “Eu vi que você não costuma andar de ônibus. Bom, pode sentar aqui no meu lugar porque eu ando todo dia, já sei como me equilibrar dentro do carro. Aliás, nem precisa segurar a minha pasta”. Não, não, ninguém diz isso. Um novato no ônibus é entregue à própria sorte. A primeira viagem de ônibus é como um teste para o mundo real. Só poucos são aceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, carro na oficina, tive que voltar com esse esporte. Não sabia nem quanto estava custando a passagem porque, falando sério, depois de muitos anos a pé e no perrengue, dei adeus ao automotor compartilhado. Lembranças de ônibus lotados na hora do rush eu já tenho muitas, o suficiente para o resto da minha vida. Não preciso de mais experiência. Mas uma vez ou outra, quando o acaso exige, me entrego perfeitamente ao meu querido coletivo. Evitando, é claro, os olhares sarcásticos dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, peguei um desses micro ônibus onde se paga a passagem para o motorista. Daí o meu primeiro erro: não separei a grana antes, e tive que dividir minhas duas mãos entre pegar o dinheiro dentro da carteira, me agarrar na barra de ferro, segurar o guarda-chuva (sempre há um guarda-chuva nessas horas) e pagar ao motorista. Depois que eu consegui tudo isso, aliviada por não ter deixado nada cair no chão, passei pela roleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vem a segunda fase: escolher o lugar. Na primeira cadeira, um rapaz de trinta anos olhava para mim avidamente. Não, não vai ser ali. Mais à frente, uma senhora de 200 quilos ocupava dois quadradinhos do assento. É, ali também não, definitivamente. Avisto lá no fundão um banco completamente solitário e é pra lá mesmo que me dirijo. Gosto de colocar a bolsa antipaticamente ao meu lado. Sou espaçosa mesmo. Um banco vazio é sempre uma benção dos céus. E, como todo mundo sabe, não se deve dispensar uma benção assim, do nada. Sentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observava atentamente o ponto onde deveria saltar. Mais à frente, mais à frente. É o próximo. Bom, o momento de puxar a cordinha é a terceira etapa desta complicada situação. Será que eu puxo agora? Deixo para puxar quando estiver mais perto? Essa dúvida me acompanha desde os tempos em que eu era usuária freqüente do coletivo. Adio uns dois segundos a decisão de tocar a campainha até que pronto, está feito. Só que o ônibus não parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta parte: reclamar com o motorista. Ando todo o corredor do ônibus sentindo os olhares de desdém sobre mim. Chego ao condutor e obedeço às regras, falando apenas o estritamente necessário: “Eu queria saltar no ponto que passou”. Ele olha pra mim com cara de quem não está nem um pouco interessado, mas responde: “Deveria ter tocado a campainha antes”. O momento da cordinha, sempre ele. Não me dou por vencida e continuo o pseudoprotesto: “Pode parar no próximo, por favor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o próximo está muito próximo mesmo, e o cara, para me sacanear, freia bruscamente e eu quase vôo. Percorro tooooodo o corredor novamente, dessa vez em direção à porta de saída, sentindo os olhares, tantos olhares. Um paranóico com certeza entraria em colapso numa situação dessas. A porta está lá, aberta, me esperando, e cada segundo que demoro para chegar até ela e atingir a calçada me parece perigoso. Como se eu estivesse atrasando de todo resto. Como se eu fosse uma daquelas crianças que vomitam no ônibus da excursão e atrapalham todo o passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de sair, ainda me pergunto: será que eu grito um ‘obrigada’ pro cara lá da frente? Desço sem agradecer nada, me sentindo a pessoa mais mal-educada e ingrata do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar de ônibus levanta muitas questões internas em mim. É um perigo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109348344634543114?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109348344634543114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109348344634543114' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109348344634543114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109348344634543114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/08/pegando-nibus-aprenda-as-regras.html' title='Pegando ônibus: aprenda as regras'/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109339500797733228</id><published>2004-08-24T12:48:00.000-12:00</published><updated>2004-08-25T13:25:11.973-12:00</updated><title type='text'>Medo </title><content type='html'>&lt;span style="color:#ccffff;"&gt;Sobre o tédio&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Sentou ao lado dela e começou a explicação: “... é que eu já tive algumas decepções e agora não quero mais me apaixonar”. Ela tragou o cigarro, olhou para ele e sorriu:&lt;br /&gt;- Quantos anos você tem mesmo?&lt;br /&gt;- 23&lt;br /&gt;- Então eu devo te avisar: isso é só o começo.&lt;br /&gt;Os dois então se calaram. Um em frente ao outro e tantas outras distâncias, muito mais que uma cadeira mais dois palmos entre um joelho e outro, e tantas coisinhas que precisavam ser entendidas, mas que não eram ditas porque nem tudo pode e deve soar pelos ares – até que ela arriscou e mandou:&lt;br /&gt;- Vou te ligar um dia desses.&lt;br /&gt;Ele fez cara de quem acha que aí já é demais, que aí já é muita interferência:&lt;br /&gt;- É que eu não sou um bom partido.&lt;br /&gt;- Quem disse que eu acho que você é um bom partido?&lt;br /&gt;Ele riu do comentário e puxou a cadeira dela pra perto. Os joelhos se tocaram, mas as outras distâncias continuavam as mesmas. Ela fez que não entendeu, fez que esqueceu do que já sabe, jogou o cabelo pra trás e riu muito mesmo.&lt;br /&gt;- Você ta bêbado!&lt;br /&gt;Depois ela se cansou e deu uma olhada no relógio, e já era quase tempo de virar abóbora e perder o sapatinho.&lt;br /&gt;- Ei, ei, tudo bem se eu te ligar? Ou você vai ficar tenso?&lt;br /&gt;- Não vou ficar tenso. Tudo bem.&lt;br /&gt;Ela levantou, rodeou a cadeira, chegou por trás dele e lhe segurou a cabeça. Deu um beijo na testa e ia dizer algo, mas decidiu não dizer nada. Catou a bolsa e foi embora, deixando ele lá sentadinho, no topo de seu monte de dúvidas, de seus 23 anos, de sua incerteza e de suas infinitas e assustadoras possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109339500797733228?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109339500797733228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109339500797733228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109339500797733228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109339500797733228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/08/medo.html' title='Medo '/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8055204.post-109331227399301767</id><published>2004-08-23T13:50:00.000-12:00</published><updated>2004-08-25T13:31:01.100-12:00</updated><title type='text'>Daiane disse ‘que merda’ </title><content type='html'>&lt;span style="color:#99ffff;"&gt;Sobre o Cotidiano&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Era possível sentir a tensão na sala quando anunciaram que a prova iria começar. Olhos vidrados, coração a mil. Se todos estão assim, eu pensei, imagina como deve estar a menina lá, no meio de toda a algazarra. Pois bem. No primeiro desequilíbrio, um oooooooohhhhh percorreu o ambiente: uns se sentaram, outros foram tomar um café, outros pediram aos céus: tomara que as outras também caiam. Mas depois vimos a expressão de Daiane descendo as escadinhas em direção aos braços da equipe técnica, os lábios se movimentando em um decepcionado ‘que merda’, os olhos tristes, baixos, quase com vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti pena. Ao meu lado gritavam que não, que pena era o caramba, que era preciso ser profissional, etc etc. Mas eu senti pena, e não a pena ruim, a que coloca o outro por baixo, mas a pena no sentido de compaixão, no sentido de partilhar com a pessoa a dor que ela estava passando, mesmo sem saber o que ela estava passando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então me ocorreu que o Brasil nunca terá ginastas campeãs olímpicas. Não digo pelo blá blá blá tantas vezes dito de que o país não tem tradição nesse esporte. Acho que é questão de metodologia mesmo. No Brasil, não temos treinadores carrascos carregando chicotes. Se temos, eles se escondem do mundo exterior, tanto que é difícil imaginá-los. Por outro lado, é fácil visualizar um romeno (logo eles) gritando com meninas de cinco anos: ‘estique a perna, force a abertura, tente de novo até sair perfeito, e de novo, e de novo e de novo’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daiane saiu triste da competição, e isso foi o que mais me tocou. Se ela tivesse se desequilibrado e pisado na linha, mas sentasse no banco com aquele seu sorriso de 500 dentes, aí seria outra história. ‘Ok, ela não ganhou, mas se divertiu como nunca, olha lá’. Mas Daiane sentiu o peso dos milhares de corações e milhares de olhos brasileiros, sentiu os olhos da mãe, da repórter de TV (que depois perguntou se ela estava chateada por não ter conseguido medalha), da torcida, das outras ginastas, dos patrocinadores. Tantos e tantos corações e olhos esperando que ela voltasse com a medalha no peito que foi impossível saltar e voltar ao solo com os pés certos e a animação em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8055204-109331227399301767?l=minhavidaseria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/feeds/109331227399301767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8055204&amp;postID=109331227399301767' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109331227399301767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8055204/posts/default/109331227399301767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minhavidaseria.blogspot.com/2004/08/daiane-disse-que-merda.html' title='Daiane disse ‘que merda’ '/><author><name>bruna paixão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12819109475636502137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
